segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Urticária Emocional



"SE APAIXONAR PELA PESSOA ERRADA PODE SER UMA ESPÉCIE DE MEDO DE COMPROMISSO?"

Quase duas da manhã. Madrugada de segunda-feira. Aquela contagem regressiva de quantas horas eu ainda posso dormir, fazendo com que o sono suma para um lugar far, far away. Pensando na vida. Merda, eu não posso pensar na vida, pensar na vida é insônia certa. Mas é nesses momentos de desespero, q surgem as melhores epifanias.

Comecei a pensar no curso de roteiro q está rolando, e que eu tanto queria fazer. Pensei na Maysa dizendo que as aulas estavam sendo quase como sessões de terapia coletiva. Piadas maldosas à parte, fiquei pensando sobre os exercícios propostos durante a oficina, em especial, sobre o primeiro exercício, onde os alunos tem q levar um objeto representativo, algo importante e verdadeiramente fundamental.

E no meio da madrugada, olhando através da penumbra para meu quarto, onde jaz tudo q eu posso chamar de meu, me dou conta q, se eu estivesse realmente fazendo a oficina, me debateria, e muito, para arranjar algo meramente parecido com a proposta do exercício. Me dei conta então, que não tenho nada físico, material, que seja representativo de mim ou para mim. Talvez um livro ou algum cd. Não, não. Eu não me identifico através deles. Nem mesmo uma jóia de família, um brinco ganho em alguma ocasião especial, um presente de uma amiga, um molho de chaves. Nada. Absolutamente nada. Tudo que me cerca poderia ser substituído, não é indispensável, não são coisas pelas quais eu tenha um apego especial, ou q tenham marcado momentos significativos. Meus momentos especiais sempre foram vividos intensamente. Mas na maioria das vezes, também foram vividos internamente, emocionalmente. E estão devidamente guardados em caixinhas junto ao peito, para servirem de alimento no futuro. Mas objetos? Não. Nada. Nem mesmo um terço, um mala, nada.

Comecei então a pensar no pq disso, no pq dessa inexistência de objetos importantes. E a resposta mais óbvia seria a de que, com tantas mudanças de casa e de cidade (mais de 25), aprendi a não depositar minhas memórias e sentimentos em objetos, mas em pessoas.
Forçando mais um pouquinho a barra, e pensando q se eu estivesse no curso, teria q surgir com um objeto de qquer maneira (dizem q o professor é braaaavooo), pensei q a única coisa que teria um significado realmente simbólico e representativo, seria o canudo do diploma que, se Buddha quiser, eu vou ganhar até o final do ano. Seria a única coisa que para mim, representaria um momento, uma transição, um caminho.

Fiquei então pensando no que essa faculdade, da qual estou louca para sair, representava para mim, e minha mente me levou de volta às mudanças. E de volta ao meu eu de 18 anos, morrendo de medo, e entrando na tão sonhada faculdade de cinema. Lembro que na primeira vez em que eu entrei na Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, no ano de 2000 (e o mundo não tinha acabado!), eu pensei: "um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade". Mas acho q era um passo grande demais para mim também.

A questão é que sonhos são assustadores de se realizar. Especialmente quando vc tem 18 anos, e nunca viveu nada real, sempre preferiu ficar no mundo da fantasia ao invés de se arriscar no big, bad world. Sonhos são assustadores de se realizar, pq qdo o universo acaba conspirando a favor, e vc se vê, do nada, fazendo a única coisa que vc achava que queria fazer desde os 12 anos de idade, então, naquele momento, se algo der errado, vc não tem ninguém a quem culpar. Nem à vida, nem aos pais, nem a nada ou ninguém. Só vc mesmo. E isso dá medo. E aos 18 anos, qdo vc tem medo, vc foge correndo. E eu corri tão longe, q atravessei oceano, dizendo que aquele sim, era meu grande sonho.

E depois da frustração de voltar correndo mais uma vez (agora qdo eu penso, me dou conta que passei anos correndo, sem nem saber do q, ou para onde), me negava a começar uma faculdade. Passei anos apavorada pela simples idéia de ficar 4 anos sentada na mesma cadeira, presa à mesma cidade, à mesma rotina. E talvez tendo que abandonar tudo isso de uma hora para outra, como sempre foi.
Ontem li no twitter uma frase do Paulo Coelho, q dizia não acreditar em mudanças graduais, mas em epifanias revolucionárias. Lembro que sorri ao ler isso, pq na minha vida tbem, nada foi lento e gradativo, tudo parece ter sido abrupto, mais do que mãozinhas do destino, as coisas sempre aconteceram meio que como grandes empurrões para dentro (ou para fora) do abismo.
E foi assim que, em 2005, em meio a uma crise colossal, fiz o vestibular para Relações Internacionais forçada. Não fui eu q fiz minha inscrição, e admito, fui fazer a prova a contragosto, meio que no efeito dos remédios para dormir e dos antidepressivos que eu tomava então. E o fato de que eu ainda podia fazer o vestibular dopada e passar em primeiro lugar fala muito mal da UTP, ou muito bem de mim, não é mesmo?

Enfim, ainda pensando nessa instabilidade toda, nessa agonia que eu sentia - e ainda sinto de tempos em tempos - em relação a faculdade, à uma carreira, à um compromisso, comecei a pensar e traçar paralelos com a minha malfadada vida amorosa, afinal é nela q eu me concentro, ou melhor, concentrava, em 99,99999999% do tempo.

Será que essa urticária emocional se refletia também nas minhas escolhas sentimentais?



Comecei a fazer uma lista mental dos homens pelos quais eu havia sido verdadeiramente apaixonada durante a minha so called, vida adulta.
Voltei até 2001/2002, onde o objeto da paixão era obviamente um idiota, que terminou se apaixonando pela minha irmã. Anos depois, veio o ex-jogador profissional de pôquer, que anunciava que não queria relacionamentos, e eu mesma assim, fui me apaixonar. Depois, e mais recentemente, veio o "esse é para casar", por quem eu me apaixonei perdidamente, fiz planos, e (que milagre!) tambpem fez planos comigo. Planos que nunca poderiam ser realizados devidos aos embrolhos em que ele estava metido (momento para um huuugeeee parênteses: esse ainda se revelou um total psycho, com direito a email mentindo sobre um acidente gravíssimo, para q eu voltasse a falar com ele. Ninguém merece). Depois e meio que durante este psicótico, veio então, the latest one. O objeto de tantos posts e de tanta dor de cabeça, q ocupou meu último ano de maneira tão, digamos, peculiar. Ele não só tinha "trouble" tatuado na testa, como carregava consigo uma legião de fãs que gostavam de compartilhar suas histórias, e me avisavam q a coisa ali era a maior roubada. Mas eu insisti, e aqui estou, tendo q lidar agora com o ego ferido dele, q não admite perder o público cativo agora que eu finalmente começo a ver a luz no fim do túnel. E para coroar tudo isso, a grande paixão da minha vida, que por 10 anos me consumiu, e q lá do outro lado do mundo, nem sabia q eu existia.

E depois dessa pequena lista de horrores, e do meu sono ter saído correndo na direção contrária de tanto medo às 3 da manhã, fui invadida por uma espécie de epifania do inferno: será o meu péssimo gosto, a minha péssima lista de relacionamentos, será a minha eterna mania de me apaixonar por pessoas inacessíveis e com óbvios problemas emocionais e para se relacionar, será que tudo isso é na verdade um próprio e velado medo de compromisso???

Eu disfarçava dizendo que os meus "amores possíveis" (para plagiar poesias alheias) eram medíocres, não me dariam a vida que eu tanto queria. Mas como ficou claro a dois posts atrás, a ficha de que ninguém é responsável pela mediocridade da minha vida, a não ser eu mesma, já caiu, e ficou ressoando, ando, ando, ando.... Os medíocres não são eles. Sou eu. Ou não. E é escolha minha, e quem diria, nos últimos tempos eu tenho feito ótimas escolhas.
Mas e agora?? Será que minha urticária emocional, que não me permitia começar uma faculdade ou imaginar ficar no mesmo lugar por anos, me levou a só me envolver com pessoas que obviamente não poderiam me dar o que eu tanto achava que queria - e chorava contra o travesseiro por noites a fio, por não ter??

Meus pensamentos voltaram então para a tal oficina de roteiro. E eu lembro que foi exatamente por isso que eu tanto quis fazer cinema. Eu amava escrever, era boa nisso, e passava boa parte do meu tempo criando histórias e fantasias, personagens mais interessantes que minha própria vida. E queria fazer cinema para ver se finalmente, conseguia transportar aquela minha realidade paralela para algo real, mesmo q através de uma tela. Mas isso exigia uma coragem que eu não tinha na época.

Hoje - e isso era algo q eu já vinha notando a tempos - minha criatividade parece ter se esgotado, e personagens e enredos não surgem mais com facilidade para mim. Mas somente ontem eu percebi o pq disso. Parece que quanto mais minha própria vida se torna interessante, qto mais eu vivo e aprendo a gostar da realidade, mais a fantasia vai embora. Engraçado isso né? Antes, eu queria escrever roteiros. Agora, eu quero (e gosto, e sou boa nisso) fazer produção. Produção, que por definição e necessidade é a arte de fazer as coisas acontecerem, de correr atrás do impossível, de transformar os sonhos sonhados por outros em realidade.

Gostei. E quero mais. E acho até que qdo uma nova turma de roteiro abrir, vou fazer.... Só para aprender a sonhar sabendo que sei - e posso - tornar tudo realidade. Deve ser bemmmmm melhor, não é mesmo???

E quem sabe, não começo a fazer isso também com os próximos homens que cruzarem meu caminho....

Quem diria. A realidade, pode ser mesmo melhor que a fantasia.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

domingo, 16 de agosto de 2009

Once ou Apenas uma vez


Apenas Uma Vez é um daqueles conto de fadas urbanos, que você sai do cinema fazendo seu máximo para evitar entrar em contato com a vida real novamente.
- L.A. Weekly.


Acabei de assistir "Once", ou em português, "Apenas uma vez".

A primeira vez que ouvi falar deste pequeno filme foi na cerimônica do Oscar do ano passado, onde fui totalmente cativada pela apresentação pungente e tocante de Glen Hansard e Markéta Irglová cantando a linda "Falling Slowly", e comemorei com vontade quando eles levaram a estatueta de melhor canção para casa, ao invés do filme da Disney que concorria com eles. O filme logo estreiou por essas bandas, mas com agenda de faculdade, trabalho e afins, foi impossível ver. Mas logo depois, consegui emprestado o cd dos músicos ("The Swell Season"), que não era a trilha do filme, mas continha grande parte das músicas desta pequena história embalada por uma trilha composta de melodias e letras melancólicas e fortes, no melhor estilo folk rock irlandês. E logo na primeira escutada, fiquei absurdamente viciada nos timbres e no violão de Hansard e na voz suave e melódica e no piano delicioso de Markéta. O disco é uma constante em meu cd player, assim como os discos do The Frames, banda liderada por Glen (destaque para o ótimo Fitzcarraldo de 1996).

Na semana que passou eu acabei esbarrando em vários vídeos do filme no youtube e inclusive cheguei a add um deles no orkut, como um dos meus favoritos. E hoje, não mais que de repente, zapeando com o controle remoto tentando achar algo decente para ver na tv a cabo, dei de cara com o filme em sua cena inicial e só não dei pulinhos de alegria com a salvação do meu sábado, pq meu pézinho com tendinite ainda dói.

Assisti o filme com gosto, quase entrei na tela da tv com a cena maravilhosa onde os protagonistas cantam e tocam "Falling ..." em uma loja de instrumentos musicais, e apreciei cada segundo dessa pequena fábula do cotidiano contada de maneira tão singela e simples. O filme não é maravilhoso, não é algo espetacular, mas cativa exatamente pela simplicidade da história e da proposta narrativa naturalista e descomplicada. Exatamente por não ter a pretenção de ser um filme fenomenal, é que esta produção independente se torna tão sincera e bonita. É um filme honesto, como já haviam me dito. Honesto, tocante, e com uma trilha sonora simplesmente arrebatadora, composta por músicas inéditas que são de arrepiar. Eu ouso até dizer que o filme poderia ser considerado um musical - na essência do gênero, onde as músicas contam a história e revelam os personagens até mesmo melhor do que os diálogos da trama.

No filme, Hansard é um talentoso músico com o coração partido que ganha a vida com seu violão nas ruas de Dublin e ajuda o pai em uma loja de aspiradores de pó. Markéta é uma imigrante tcheca que anda pelas mesmas ruas, vendendo rosas para sustentar sua família e tem como hobby o piano. Apesar das diferenças, os dois passam dois dias conversando e criando canções, uma atrás da outra. “Os dois protagonistas estabelecem uma ligação intensa, tanto do ponto de vista artístico quanto emocional; e o grande charme do filme é que essa conexão é muito verdadeira na tela”, conta o próprio Hansard, que começou a namorar Marketa durante as filmagens, dando um toque quase hollywoodiano à história.

Reza a lenda que Once nasceu em 2005, em um concerto do The Frames em Dublin. O diretor John Carney, que já havia sido baixista da banda, encomendou a Hansard a composição de algumas canções para que, a partir delas, o roteiro fosse desenvolvido. Diversos encontros entre ambos ocorreram, resultando em 10 canções inéditas e um roteiro de 60 páginas que foi filmado em (apenas) 17 dias, com o impressionante (baixíssimo) orçamento de U$ 160 mil. “Foi um projeto entre amigos, com pouco dinheiro e muita alma”, diz o músico. “Durante a rodagem, a gente até esquecia de comer e dormir, de tão envolvidos que estávamos na criação desse filme.” (e eu achando que era só aqui com a gente q isso acontecia....)

O resto, virou e fez história. Onde passou o filme foi comentado, especialmente pela força e carisma musical da dupla de protagonistas, que chegaram até a abrir shows de Bob Dylan, tamanha a repercussão q tiveram. O filme virou um verdadeiro fênomeno do cinema independente, arremantando o prêmio do público em Sundance e o Oscar 2007 de Melhor Canção Original. As músicas do filme fizeram tanto sucesso no circuito alternativo que os dois músicos resolveram formar uma banda chamada The Swell Season e sair em turnê. “Passamos meses viajando, abrimos shows do Damien Rice (de quem Hansard é amigo) e fizemos apresentações solo nos Estados Unidos, Europa e Japão”, conta o músico.
Para mim, o comentário da L.A. Weekly diz tudo. Vou até dormir, antes que a realidade bata com força à porta e me acorde.
E para quem quiser baixar a trilha....

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

What a wonderful world....


Só para lembrar que o universo é esquizofrênico, sacana e tem humor negro...
Mas é simplesmente lindo. E é o que tem para hoje.
Vai dizer q não basta???

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Veronika decide morrer


http://www.youtube.com/watch?v=VkEITSgsqgk

Eu já havia lido em algum lugar que o filme estava sendo produzido, e lembro de na época ter ficado apavorada com o possível resultado - apesar de não ser um dos meus livros favoritos de Paulo Coelho (simmmmmmmmmmmm, eu gosto de Paulo Coelho!!), é um dos mais pertubadores do escritor, por tratar de uma temática das mais espinhosas, senão a mais espinhosa de todas: a vontade de morrer, a desistência completa e irrecusável da vida, a certeza de que simplesmente não vale mais a pena.
Mas na verdade, cometo um erro ao dizer q o livro é sobre isso, pois é absolutamente sobre o extremo oposto: a descoberta de que mesmo sem q tenhamos qquer suspeita, a sementinha da "joi de vivre" existe ali, em algum lugar. É só regar com doses de liberdade e desprendimento. Nada que um bom "foda-se mundo!" não resolva.
O segredo para se apreciar a vida é, quem diria, se livrar totalmente dela, e abraçar com vontade as incertezas e loucuras que frequentam nossa existência.

Na trama, Veronika, uma jovem bonita que teria tudo para se sentir realizada com sua existênciazinha repleta de lugares comuns, se depara com a infelicidade inevitável dos que não aceitam a mediocridade dos dias sem cor, e decide então, se matar. Simples assim, sem dramas, melodramas, sem despedidas, apenas uma aceitação simples e serena de que não vale mais a pena viver. Só que nem tudo acontece como planejado, e ao invés da morte certa, ela encontra uma cama fria de um hospital psiquiátrico, e vários personagens que, verdadeiramente pertubardos, mostrarão que a loucura, como tudo na vida, é relativa.

Por motivos muito pessoais esse livro mexeu muito comigo qdo eu o li (ou melhor, devorei) em uma noite, e a história permaneceu comigo durante várias pequenas descobertas que eu fiz nesse caminho maluco q eu venho traçando nos últimos anos. mas a tempos eu não pensava nem no livro nem em Veronika, até abrir ansiosa a minha BRAVO! deste mês e dar de cara com um anúncio de uma página com a minha eterna Buffy (simmmmmm 2 - eu adoro seriados trash sobre vampiros e outras criaturaas afins) como Veronika, e o alerta de estréia do filme para este mês. Fucei e vi os trailers, e apesar de já desgostar de cara do fato de que a trama foi transferida para new york, achei as poucas cenas q eu vi bastante fiéis ao livro. Veremos. O trailer oficial, anuncia em letras garrafais que Sarah Michele Gellar é a Buffy, quer dizer, Veronika, com a qual Paulo Coelho sempre sonhou.... Se ele diz....

Eu pessoalmente gostei mais do teaser não oficial do filme, mas acho q definitivamente vou precisar marcar presença na sala escura para ver o resultado disso tudo. Mas se tem alguma coisa que Paulo Coelho me ensinou, é que nada é por acaso.
Veremos. Afinal, o q importa, como diria Simone de Beauvoir, é "Viver sem tempos mortos"...
Nada de mediocridade. Não nesta vida.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Isabel Coixet e suas preciosidades cinematográficas


Sabe qdo uma coisa - ou várias - é tão especial para vc, q vc não se atreve a querer colocar em palavras todas as emoções que aquilo te desperta?

Alguns filmes, músicas, poemas, são assim para mim. Fortes demais para serem descritos, debatidos, falados. Essas pequenas jóias são tão íntimas, que mesmo aqui, onde eu rasgo o verbo falando dos meus sentimentos mais profundos, muitas vezes não consigo achar uma maneira sincera e sutil o bastante de compartilhá-las. Como se não fosse nunca fazer jus aos maremotos de emoções q elas nunca falham em me despertar.

Como todo mundo que me conhece sabe, eu amo cinema, e sou capaz de assistir "Encouraçado Potenkin" com a mesma gana em que devoro um saco de pipocas assistindo o novo "Harry Potter". Gosto de filmes trash de terror, de clássicos insubstituíveis (essa semana revi "O Pecado mora ao lado" com a eterna Marilyn e "Ladrão de casaca", de Hitchcock, maravilhosos como sempre!), e de boas e velhas comédias românticas, para adoçar a vida q anda meio amarga. Se alguém aqui nunca assistiu "Harry e Sally - feitos um para o outro" para espantar alguma ressaca emocional, eu recomendo!

Mas confesso que mesmo amando filmes, ando meio calejada, e anda difícil algum me emocionar de verdade. Mas quando eu acho que minha sensibilidade em relação a a sétima arte anda perdida, ou minha sensibilidade para comigo mesma anda em falta, eu recorro a duas jóias preciosas que nunca falham em lavar minha alma e renovar tudo - minha fé no cinema unusual, minha fé nas emoções humanas, e quem diria, minha fé nos próprios seres humanos e na nossa eterna capacidade de enfrentar qualquer coisa, e porque não, recomeçar.

Estes filmes são "A Vida Secreta das Palavras" e "Minha Vida Sem Mim", ambos da diretora espanhola Isabel Coixet. Ambos lidam com a dor e com a superação de maneira simples, despojada, e acima de tudo, sincera. Ambos contam com a excelente Sarah Polley como protagonista, e têm na trilha sonora e na fotografia simples e naturalista pontos fortes. E acima de tudo, ambos falam de amor, de conexões humanas, falam do impacto que podemos ter na vida dos outros. São sem sombra de dúvida, meus filmes favoritos.

Ontem, em um dia complicado, frustrante e decepcionante, decidi perder umas horas de sono e ficar até tarde assistindo "Minha Vida...",e depois de algumas lágrimas derramadas, consegui dormir leve, pensando que a vida, apesar de êfemera, depende apenas de nós mesmos para ser marcante. Que marca você gostaria de deixar na vida das pessoas que te cercam? Essa é a pergunta que fica para mim, toda vez que termino de assistir o filme. E acreditem, é uma pergunta e tanto.

"A Vida Secreta das Palavras", que talvez seja o filme que mais me impactou em todos meus 27 anos, fala da capacidade de reconstrução que o ser humano possui, fala de novos inícios, da superação de dores absurdas, e da permissão que podemos nos dar - ou negar - para sermos felizes. Fala acima de tudo, do que não precisa ser dito, mas apenas sentido. E de como essas coisas caladas podem mudar tudo. Nas palavras da diretora:

“Words –like shoals of fish- team around in our heads and crowd against our vocal chords, fighting to get out and be listened to by others. And sometimes they get lost on the journey from head to throat. This is about those lost words that wander for a long time in a limbo of silence (and misunderstandings and errors and past and pain) and then one day come pouring out, and once they start nothing can stop them.”

Depois de um ano vivendo às voltas com o não dito, eu não posso deixar de me comover profundamente com essas situações, e embora o drama dos personagens seja algo impensável para a minha realidade, a sensação de aprisionamento é familiar, muito familiar.

Hoje recomendei este filme para alguém, e decidi vir aqui falar dessas pequenas preciosidades que enriquecem minha vida. Achei que não teria o que falar, que os sentimentos que eles despertam em mim são tão profundos que não sairiam, mas quem diria.... um post gigantesco depois, aqui estou eu, como sempre!

Mas vale ainda deixar o link para um blog maravilhoso, e um texto melhor ainda sobre a diretora (q trabalha nesses dois filmes com a produção dos irmãos almodovar) e sobre essas jóias do cinema.

"... A vida secreta das palavras ... que não é só uma história de amor maravilhosa, é um filme sobre a solidão, sobrevivência, sobre a (in)capacidade de seguir em frente, porque afinal a vida continua. Continua, mas continua como? O filme é genial. Genial desde os letreiros no comecinho do filme, na formação de palavras como love, fear, life, scream, etc., em cada nome que surge na tela. Genial do começo ao fim. Isabel Coixet é a diretora dos detalhes das cenas cotidianas da vida. E te deixa tão íntimo da situação, que o filme parece estar acontecendo bem ali na casa do seu vizinho de porta, de tão próxima e familiar que ela fica, mesmo boa parte do filme acontecendo numa plataforma de petróleo em alto mar. O tempo de cada cena, o silêncio a mais que sobra e é filmado depois de um diálogo – quase constrangimentos, quase vida real. "

Leiam, assistam, vivam. Vale a pena.



quinta-feira, 30 de julho de 2009

Que el tiempo pase y llegue algo nuevo...


Porque Yo Te Amo

(Antonio Birabent)

Por ese palpitar
que tiene tu mirar
yo puedo presentir
que tu debes sufrir
igual que sufro yo
por esta situacion
que nubla la razon
sin permitir pensar

en qué ha de concluir
el drama singular
que existe entre los dos
tratando simular
tan solo una amistad
mientras en realidad
se agita la pasion
que muerde el corazon
y que obliga a callar
yo te amo.... yo te amo...
y porsobre todas las cosas del mundo yo te amo

coro:
tus labios de rubí
de rojo carmez
parecen murmurar
mil cosas sin hablar
y yo que estoy aquí
sentado frente a tí
me siento desangrar
sin poder conversar

tratando de decir
tal vez será mejor
me marche yo de aquí
para no vernos más
total que más me dá
ya sé que sufriré
pero al final tendré
tranquilo el corazón
y al fin podré gritar
yo te amo! ... yo te amo!...

coro:
tus labios de rubí
de rojo carmezi
parecen murmurar
mil cosas sin hablar
y yo que estoy aquí
sentado frente a tí
me siento desangrar
sin poder conversar

tratando de decir
tal vez será mejor
me marche yo de aquí
para, para no vernos más
total que más me dá
ya sé que sufriré
pero al final tendré
tranquilo el corazón
y al fin podré gritar
yo te amo! ... yo te amo!...
yo te amo...

Pois é. Merda.
Só preciso lembrar que o que não é do outro, não significa que será meu. Simples assim.

Nada Bueno

¿dónde habíamos quedado? retomemos desde ahí.
No descubrí nada imprescindible
Y me fui de ahí, viaje.
Y comprobé que aunque me escape todos los lugares me encuentran.
Ahora los veo venir. solos.
Se apoderan de mí.
Y yo me dejo llevar, y yo me dejo elevar también,
Y desde ahí sentir que no hay nada bueno.
Recordé que no hay nada bueno.
¿dónde habíamos quedado? retomemos desde ahí.
Cuando no te tengo cerca todos los sitios son ajenos, y el presente es un continuo deseo:
Que el tiempo pase y llegue algo nuevo, que el tiempo pase y llegue algo bueno.
Pero no descubro nada imprescindible.
Me recuesto y vuelvo a sentir: que no hay nada bueno en ti.
Recordé que no hay nada bueno,
Y yo sé que no hay nada imprescindible y, tal vez, será por eso que te amo.
Hoy leí que no hay nada bueno.

Merda.