sábado, 25 de julho de 2009

Para mim mesma.




O Poço

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

(Pablo Neruda)

Não vou mais ferir a mim mesma. Cabe apenas a mim me ajudar a ser boa, e encontrar em minha essência -e nos abraços queridos de quem me ama e me quer bem- o amor necessário para que o fundo do poço, fique cada vez mais longe. Não me afundarei em profunda cólera, não jurarei mal ao inimigo que teima em ser sádico. Serei forte, constante - um verdadeiro lenhador que abre seu espaço em meio à selva fechada das picuinhas pequenas e tristes. Pq Deus sabe que tendência a pastora doce e cordata, eu nunca tive. E sabe o que é mais doido nisso tudo? Hoje realizei um dos maiores sonhos da minha vida - q era estar em um set de cinema. "Ação", "Corta", o som da claquete batendo forte e anunciando um sonho realizado a cada nova tomada. Quis muito estar aqui, e aqui estou. O que vier no meio do caminho, tem que ser lucro. E será.

Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Que livro vc seria??

Encontrei vários blogs falando sobre esse teste, e embora eu não goste muito desses testes q massificam e generalizam tudo (falou a garota q adora um horóscopo), eu não resisti e resolvi fazer.... achei as perguntas meio estranhas, e quando já achava q não ia dar em nada.... veio o resultado, e que resultado!
Romântica e neurótica. Eu???? hehehe... tudo bem, tudo bem....

Que livro é você?

Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra.


"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.


"Doidas e santas", de Martha Medeiros

Moderninha e solteira, ou radiante de véu e grinalda? Eis a questão da jovem (ou nem tão jovem) mulher profissional, cosmopolita e, apesar de tudo, muito romântica. Eis a sua questão! Confesse: quantas horas semanais você gasta conversando sobre encontros e desencontros sentimentais com as suas amigas? Aliás, conversando não. Analisando, destrinchando... Mas isso não quer dizer que você só questione a existência de príncipe encantado, não. A vida adulta hoje não está fácil para ninguém, como bem mostram as 100 crônicas de "Doidas e Santas" (2008), que retratam os sabores e dissabores da vida sentimental e prática nas grandes cidades.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Musa

Minha melhor amiga acabou de me mandar o link para uma entrevista maravilhosa, de uma figura mais maravilhosa ainda.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u575424.shtml
Já tinha ouvido falar dessa escritora, mas nunca li nada dela, o que faço questão de remediar pronto.
Na entrevista, a autora irlandesa Edna O'Brien fala sobre crescer sem acesso à literatura, sobre a Irlanda repressora que baniu seus livros, e sobre a mulher moderna, dona de si e guerreira em uma sociedade patriarcal e sexista. Verdadeiros exemplos de vida para mulheres contemporâneas, independentes e ainda assim, viciadas em suas vidas amorosas e em relacionamentos insatisfatórios e fugas mentais.

Folha Online - Seu livro "Dezembros Selvagens" conquistou fãs no Brasil, em sua maioria mulheres. O que a senhora diria a essas mulheres que tentam conciliar no seu cotidiano a falta de tempo e seu desejo de mudar o mundo, a "desesperança" que se vê nos jornais a cada manhã e suas crenças e vontades determinadas?

Edna O'Brien - Estou bastante ansiosa para ir ao Brasil e à Flip. Fico feliz em saber que tenho fãs de "Dezembros Selvagens", que acabou de ser filmado para a televisão irlandesa. Sim, o mundo, com suas guerras e escassez, e partidos e barbáries e todo o restante, é insuportável de ser observado, e isso me leva à questão de escrever e do porquê alguém deveria escrever. Seria a literatura um luxo? Sim, mas é um luxo de que não podemos abrir mão.

Acho que foi Stefan Zweig [escritor austríaco que viveu no Brasil na primeira metade do século 20] quem disse que a arte era um grande consolo para o indivíduo, mas inútil diante da história. Sim, a arte é necessária, responde a uma necessidade espiritual e intelectual das pessoas. Imagino que muitos escritores sintam-se impotentes por não conseguirem reportar todas as atrocidades que acontecem espalhadas pelo mundo, mas também acredito que reportagens esclarecidas feitas em todo o mundo ultrapassam o drama e a ficção contemporâneos. Como últimas palavras, eu diria que os seres humanos necessitam da mágica da poesia e do grande prosa ou drama.

....

Folha Online - O que levou a senhora a escrever, já que Estudou para se tornar farmacêutica?

O'Brien - Estudei para ser farmacêutica porque era o que meus pais queriam. Eu fui, de certa forma, obediente; mas meu outro lado, minha face rebelde e impositiva, não estava muito longe da superfície.

Escrever foi minha tábua de salvação que, com todas as suas provações, me permitiu manter um estado, ainda que precário, de sanidade.

"Um estado, ainda q precário, de sanidade..." É, acho q o blog vai sobreviver. Mesmo que precária, qquer sanidade é bem vinda, não é mesmo?


domingo, 24 de maio de 2009

In My Secret Life

http://www.youtube.com/watch?v=meBNeNwiagw

"In My Secret Life"

I saw you this morning.
You were moving so fast.
Can’t seem to loosen my grip
On the past.
And I miss you so much.
There’s no one in sight.
And we’re still making love
In My Secret Life.
I smile when I’m angry.
I cheat and I lie.
I do what I have to do
To get by.
But I know what is wrong,
And I know what is right.
And I’d die for the truth
In My Secret Life.
Hold on, hold on, my brother.
My sister, hold on tight.
I finally got my orders.
I’ll be marching through the morning,
Marching through the night,
Moving cross the borders
Of My Secret Life.
Looked through the paper.
Makes you want to cry.
Nobody cares if the people
Live or die.
And the dealer wants you thinking
That it’s either black or white.
Thank G-d it’s not that simple
In My Secret Life.
I bite my lip.
I buy what I’m told:
From the latest hit,
To the wisdom of old.
But I’m always alone.
And my heart is like ice.
And it’s crowded and cold
In My Secret Life."

(Leonard Cohen)

Cansada da minha vida secreta. Hora de colocar tudo para fora de uma maneira ou outra, e seguir adiante. It`s time now.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Verdade. Simples assim

1) Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim.Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:- Ah,terminei o namoro...- Nossa,quanto tempo?- Cinco anos... Mas não deu certo... acabou!- É, não deu...Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.

2) Hoje não acredito muito nos 'opostos se atraem'. Porque sempre uma parte vai ceder muito e se adaptar demais. E sempre esta é a parte mais insatisfeita. Acredito mais em quem tem interesses em comum. Se você adora dançar forró, melhor namorar quem também gosta, se você gosta de cultura italiana, melhor alguém que também goste. Frequentar lugares que você gosta ajuda a encontrar pessoas com interesses parecidos com os seus. A extrovertida e o caretão anti-social é complicado e depois, entra naquela questão de 'um querer mudar o outro, ui..'. Pessoas mudam quando querem. E porque querem. E pronto. E demora!

3) Cama é essencial!Aliás, pele é fundamental. E tem gente que é mais sexual, outras que são mais tranquilas. O garanhão insaciável e a donzela sensível, acho meio estranho. Isto causa muitas frustrações e dá-lhe livros de auto-ajuda sobre sexo. Assim como outras coisas, cada um tem um perfil sexual. Cheiro, fantasias, beijo, manias, quanto mais sintonia, melhor.

4) Não acredito em pessoas que se complementam.Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ela é carinhosa, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível. Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.

5) Pele é um bicho traiçoeiro.Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não impressiona. Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... senão bate... mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.

6) Se ele ou ela não lhe quer mais, não forçe a barra.O outro tem o direito de não querer. Não lute, não ligue, não dê piti.Se a pessoa está com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos. Mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, pressão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice-versa. Não fique com alguém por dó. Ou por medo da solidão.Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

7) Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio , frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. (ops! E quem é, deve fugir também. Ou cobrar a sessão!!!) Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível !!! Na vida e no amor, não temos garantias.8) E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar. Enfim... quem disse que ser adulto é fácil?

(retirado de um post antiiiiiigo do blog maravilhoso do Edenilson - http://joao.tipos.com.br - visitem, vale a pena)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Memory land, Agatha Christie e uns moçoilos cabeludos brigando de espadas...



Existe uma grande verdade na minha vida - a de que eu detesto aparecer em frente às câmeras, afinal a mais de dez anos desisti do teatro e pensei em fazer cinema para ter o conforto de ficar atrás das lentes, onde tudo é mais seguro e discreto, quase imperceptível...

Mas como o Universo é engraçadinho, e como a gente faz qquer coisa por quem a gente gosta, ontem me vi concordando em encarar uma câmera de frente, por dois minutos apenas, mas ainda assim um tormento do qual eu procurava escapar a dias. Mas os olhinhos simpáticos e jovens que eu tanto admiro e gosto me pediram com jeitinho, e quando eu vi, lá estava eu, sentada diante da nossa horta, sendo examinada por uma lente curiosa. O tema, não poderia ser pior - travessuras de criança. Não, sobre isso eu não teria nada sobre o que falar, afinal, como já foi dito, eu nasci velha, e não me recordo de nenhuma grande aventura/travessura vivida em meus dias de criança em que eu insistia em viver como adulta (embora minha mãe provavelmente se lembre de vários momentos "peculiares").

Não, esse tema não serviria. Então surgiu outro, sobre o qual eu nunca havia tido problemas para falar - literatura. Ahhh, literatura, sobre isso sim eu poderia falar, sobre a magia dos livros, o universo incrível e fantásticos para o qual somos transportados através daquelas linhas impressas que incitam, motivam, apaixonam. Literatura era um tema seguro, sobre o qual eu acreditava ter um grande repertório, pelo menos grande o bastante para impressionar adolescentes de 15 anos.... Mas eu não contava com o branco imenso e vazio que se apoderaria do meu cérebro naquele momento, o vácuo de informações interessantes ou precisas sobre algo que eu carrego tão junto ao peito...

E então, sem que eu saiba como - talvez através de um segundo de identificação com as crianças ainda crianças a minha frente - tudo que eu conseguia lembrar, era dos livros que lia quando tinha a idade deles, ou até menos, muito menos.... Por algum motivo bizarro eu recordei da minha coleção de livros da Agatha Christie, talvez a única coleção que eu já tenha tido, e que me transformou por muito tempo em rata de sebos, guiada pela ânsia de ter todos os seus livros publicados em português...
Engraçado como mesmo falando tanto em coleções e objetos estimados como temos falado nos últimos tempos, essa pequena preciosidade do meu passado ainda permanecesse enterrada - talvez posta para dormir no dia em que eu, sem muitos motivos, decidi me desfazer dos mais de 60 livros que possuía, sem olhar duas vezes ou pensar novamente neles.
E não, eu não vou fazer nenhuma paralelo entre essa atitude e a maneira como eu lido com relacionamentos e pessoas na minha vida.

Enfim.... "Qual seu livro preferido?" "Hã...."
E nada de Antologia poética do Vinícius, nada dos sonetos de Shakespeare que abriram um universo de emoções e apuro intelectual para mim, nada da poesia que se transformou em gênero favorito, nada de Fernando Pessoa, Quintana, nem mesmo do meu favorito - Neruda, como pude esquecer de ti?? Nada nem mesmo de Dan Brown ou Irvin D. Yalom, ou em último caso, até Paulo Coelho. Nada. O que me veio a cabeça - a única coisa que pareceu ressoar dentro do vazio craniano instalado - era a rainha do mistério (socorro, eu acho até mesmo que usei esse termo!) com quem eu conheci o mundo, e que preenchia meus dias durante meus 10, 11, 12 anos.... Engraçado que nem mesmo Conan Doyle, que abriu o camiho dos assassinatos, venenos e crimes perfeitos para mim - eu era apaixonada pelo meu querido Sherlock - surgiu em minha mente abotoada... Veio apenas a velha dama britânica, e alguns murmúrios sobre gostar de livros sobre religião oriental e política... Nessa altura falar de livros sobre budismo e relações internacionais só ia piorar tudo mesmo...

Aha! Mas pelo menos de uma coisa interessante, meu cérebrozinho deu conta de lembrar. "Indique um livro". Hum... E não mais do que de repente, eu sou tomada pela nostalgia da lembrança do meu livro verdadeiramente favorito durante a adolescência. "Os três mosqueteiros", eu falo sem titubear. Um clássico dos clássicos, uma aventuda de capa e espada cheia de romance, lealdade, e acima de tudo, amizade.... Devia ser obrigatório para todos os jovens, para provar que literatura escrita a mais de cinco minutos não precisa ser chata. Ufa! Pelo menos ao Alexandre Dumas eu fiz jus....


Viu o pq eu detesto aparecer em frente às câmeras? A gente esquece o Neruda de nossas vidas, e tudo que nos ocorre são assassinatos e lutas de espadas.... Viu o que dá não ter infância??

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Bazar Vigor Mortis

Dias 16 e 17 de maio das 15h às 21h acontecerá o Bazar Garagem Vigor Mortis. Com a proposta de ser um encontro de artes e amigos a entrada é de grátis. O evento reunirá moda, arte, música e gastronomia, essa última representada pelo Chef Confeiteiro Daniel Simas e seus famosos cupcakes.
O som ficará por conta de vários DJs convidados e poket shows com alguns nomes que estão chamando a atenção na cena local - no sábado Delta Cockers, Rosie And Me e Je Rêve de Toi(foto acima) que terá seu clipe fofo da música “Pontos” estreando no MTV LAB no mesmo dia.
No domingo FelixBravo nos presenteará com sua poesia em canção.

O evento será realizado na sede da Cia Vigor Mortis na Rua Inácio Lustosa 1098 próximo ao prédio da Brasil Telecom. (mapa)