sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Olho Vivo lança quatro novas produções na Cinemateca de Curitiba

Olho Vivo lança

quatro novas produções na Cinemateca de Curitiba

Curtas-metragens e documentário são resultado do projeto Ficção Viva

Após mais de um ano de pesquisas e trabalho atrás das câmeras, chegam esta semana às telas curitibanas as produções realizadas pelo projeto Ficção Viva, iniciativa do Projeto Olho Vivo que se propõe a desenvolver ficção a partir de elementos documentais. Trata-se dos curtas-metragens “Um Vestido e um Amor”, “Retrato de Família”, “Betes” e do documentário “As Pessoas e as Coisas”, que estreiam nos dias 25 e 26 de novembro, na Cinemateca de Curitiba, com sessões gratuitas às 20h e 21h30.

Resultado de um processo criativo pioneiro que integra organicamente as áreas de roteiro, interpretação e câmera, os filmes usam como pano de fundo a capital paranaense seja para analisar as delicadas inter-relações que as pessoas mantêm em seu círculo familiar bem como as experiências que estes personagens constroem a partir de objetos do cotidiano.

A primeira situação é exposta em “Retrato de Família”, que tem direção de Marcelo Munhoz e mostra o frágil equilíbrio entre um aposentado e sua família após um derrame e a contratação de uma enfermeira, e também em “Betes”, de Bruno Manfredi e do estreante Vinicius Mazzon, no qual antigos conflitos entre dois irmãos vêm à tona durante um jogo. Já em “Um Vestido e um Amor”, dirigido por Luciano Coelho, é a peça de roupa do título o motivo de uma misteriosa história que se passa numa loja de roupas usadas.

As três ficções tiveram ponto de partida no documentário “As Pessoas e as Coisas”, que entrevistou colecionadores, antiquaristas, donos de brechós e sebos para tentar entender o significado dos objetos nas vidas das pessoas. “Muito mais do que forma ou função, os objetos têm vida social, são palco de nossas experiências e estão impregnados de emoções, por isso dizem tanto sobre nós. Além disso, são uma inesgotável fonte de pesquisas”, diz Marcelo Munhoz, um dos coordenadores do Ficção Viva.

Primeiro filme a ser gravado, “As Pessoas e as Coisas” serviu de base para o processo de criação da dramaturgia dos curtas-metragens. Mesmo assim, cada filme tomou rumo e identidade artística próprios, ainda mais que “a história de vida dos participantes de cada núcleo do Ficção Viva foi utilizada como elemento enriquecedor”, completa Luciano Coelho, outro coordenador do Ficção Viva.

Serviço:

Lançamento dos filmes “Um Vestido e um Amor”, “Retrato de Família”, “Betes” e “As Pessoas e as Coisas”

Data: 25 e 26/11 (quarta e quinta-feira). No dia 25 exibição de “Um Vestido e um Amor” e “As Pessoas e as Coisas” e no dia 26 de “Retrato de Família” e “Betes”.

Horário: sessões às 20h e 21h30

Local: Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco)

Entrada franca.

Informações: (41) 3015-1592 e www.projetoolhovivo.com.br.

Sobre o Ficção Viva

O Ficção Viva se propõe a levar ao grande público, por meio de produtos audiovisuais de expressão e qualidade, a pesquisa de construção dramática desenvolvida no Projeto Olho Vivo. Com o patrocínio da Petrobras, durante um ano, 45 alunos participaram de um processo criativo único que integrou organicamente as áreas de roteiro, interpretação e câmera, culminando na realização de quatro filmes. Em paralelo às atividades, seis workshops e encontros com renomados profissionais do cinema latino-americano deram base ao projeto.

Sobre o Projeto Olho Vivo

Em 2009, o Projeto Olho Vivo completou seis anos de atividades. Neste período produziu quase 50 filmes entre documentários e ficção, e teve inúmeras participações em festivais de cinema no Brasil e no exterior, além de receber o prêmio Escola Viva do Ministério da Cultura pelo projeto social “Minha Vila Filmo Eu” e sua metodologia de oficinas de audiovisual nas periferias.

Fichas técnicas:

“Um Vestido e um Amor” (ficção – 20’)

No brechó de Juraci cada roupa tem uma história muito especial. A jovem Beatriz chega a procura de uma peça que a inspire na criação de seu personagem para uma montagem teatral. Lá se depara com um vestido de noiva, e ouve de Juraci a misteriosa história da mulher que nunca pôde usá-lo mas continua vindo uma vez por mês para visitá-lo. Beatriz deseja comprar o vestido, sem saber que o destino da noiva e seu falecido noivo ainda está por ser definido.

Direção: Luciano Coelho. Roteiro: Edenilson de Almeida, Fabíola Melo, Guilherme Empke e Luciano Coelho. Direção de produção: Gladys Mariotto. Assistência de produção: Alexandre Longo. Direção de fotografia: Gustavo Yuki. Assistência de câmera: Cláudia Amorim. Elétrica e pré-light: Ivanir Pereira da Silva (Fumaça). Direção da arte: Gladys Mariotto, Fabíola Bonofiglio, Gabriela Windmüeler e Maysa Pedotti. Som direto: Denise Kelm, Marquinhos Ribeiro e Rose Ribeiro. Edição: Luciano Coelho, Claudia Amorim e Gustavo Yuki. Design de som: Denise Kelm. Trilha sonora: Rachel’s e Fito Paez. Preparação de elenco: Marcelo Munhoz. Elenco: Greice Barros (Noiva), Nana Rodrigues (Juraci), Rossana Ceres (Beatriz), Alessandra Flores (Berenice) e José Ronaldo Ribeiro (Marido).


“Retrato de Família” (ficção – 29’)

Osvaldo é um advogado aposentado que, depois da morte da esposa, segue vivendo na cadência discreta de seu velho relógio. Um derrame acaba com a ordem de sua vida. Seus filhos, Vera e Tiago, contratam uma enfermeira, Noeli, que impõe um novo ritmo para a casa, mexendo com o frágil equilíbrio entre Osvaldo e sua família.

Direção: Marcelo Munhoz. Roteiro: Carlos Vogel, Eduardo Miranda, Eugenio Thomé, Marcelo Munhoz e Márcia Pope. Direção de produção: Gladys Mariotto. Assistência de Produção: Alexandre Longo. Supervisão de fotografia: Luciano Coelho. Direção de fotografia: Claudia Amorim. Assistência de fotografia: Gustavo Yuki. Direção de arte: Gladys Mariotto, Fabíola Bonofiglio, Maysa Pedotti e Gabrielle Wundmüller. Som direto e design de som: Denise Kelm. Música: Vera Domenico. Edição: Marcelo Munhoz. Elenco : Luiz Godói (Osvaldo), Bel das Neves (Vera), Julien Coelho (Tiago), Ellen Piragine (Noeli), Natalia Fantini (Estela) e Alcione Janeiro (Paulo).



“Betes” (ficção – 18’)

André volta para sua casa de infância para reconciliar-se com Jonas, seu irmão mais velho. Ali conhece Silvia, a esposa do irmão, grávida de 6 meses, e se depara com um novo lar, que não é mais o seu. Durante um jogo de betes com os amigos, o antigo conflito entre os irmãos vem à tona.

Direção: Bruno Manfredi e Vinicius Mazzon. Roteiro: Bruno Manfredi, Lielson Zenni e Vinicius Mazzon. Direção de produção: Gladys Mariotto. Assistência de produção: Alexandre Longo e Christiane Spode. Supervisão de fotografia: Luciano Coelho. Direção de fotografia: Adalgisa Lacerda. Assistência de fotografia: Gustavo Yuki. Direção de arte: Gladys Mariotto, Fabíola Bonofiglio, Maysa Pedotti e Gabrielle Wundmüller. Som direto e design de som: Rafael Puppi. Edição: Bruno Manfredi e Vinicius Mazzon. Elenco: Ed Canedo (André), Gerson Delliano (Jonas), Rozana Percival (Sílvia), Thomas Kuhn (Marcão), Guilherme Empke (Cezinha).



“As Pessoas e as Coisas” (documentário – 30’)

Que histórias estão por trás de cada objeto que passa por nossa vida? Compramos, vendemos, guardamos, atribuímos valor e significado das mais variadas formas. Serão então os objetos capazes de revelar quem somos, melhor do que nós mesmos? Produzido a partir da pesquisa sobre o universo “Pessoas e Objetos” dentro do projeto Ficção Viva, este documentário entrevistou colecionadores, antiquaristas, donos de brechós e sebos. Símbolos de dores e alegrias. Representação de sonhos e identidades. Apego e desapego. Essas são algumas das relações entre as pessoas e as coisas surgidas nas histórias pelos personagens.

Coordenação geral: Luciano Coelho e Marcelo Munhoz. Direção de produção: Gladys Mariotto. Assistência de produção: Christiane Spode. Realização: Adalgisa de Lacerda, Alexandre Longo, Bruno Manfredi, Claudia Amorim, Denise Soares, Fabíola Bonofiglio, Gabrielle Windmüller, Gladys Mariotto, Gustavo Yuki, Luiz Rafael Puppi e Maysa Sousa. Pesquisa: Alcione Janeiro, Alessandra Flores, Bel das Neves, Carlos Guilherme Vogel, Edenilson de Almeida, Eduardo Frade Miranda, Eugenio Thomé, Fabíola de Melo, Gerson Delliano, Guilherme Empke, Lielson Zeni, Marcia Poppe, Nana Rodrigues e Vinícius Mazzon.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Puente Celeste


Descobri meio por acaso essa banda porteña que é tudo de bom e mais um pouco. Estou sem tempo ou vontade de inventar algo sobre eles (e ainda estou escutando os cds que consegui baixar), então vou deixar vcs com textos ótimos que achei por aí.....

Confiram!!


(via a enciclopédia do rock argentino http://www.rock.com.ar/bios/7/7579.shtml)

Puente Celeste
Edgardo Cardozo: guitarra, requinto, acordeón, cajón y voz
Lucas Nikotián: acordeón, piano y flauta traversa
Luciano Dyzenchauz: contrabajo, cajón y berimbao
Marcelo Moguilevsky: clarinete, clarón, flautas dulces, armónica y voz
Santiago Vázquez: percusión, berimbao, mbira, tablas, guitarra y voz


Puente Celeste es un grupo de música instrumental y vocal que se formó en 1997. Su formación ha ido variando desde "Santiago Vazquez & Puente Celeste", su álbum debut, distinguido como Mejor disco y Revelación del año 1998 por el diario Clarín.
Las influencias musicales son variadísimas: desde el folklore argentino y el tango hasta el jazz y la música clásica del siglo XX.

Ésta es la primera producción discográfica de Santiago Vazquez, junto a Puente Celeste. Un disco ecléctico que funciona como un viaje sonoro a través de las muchas y muy distintas facetas que cohabitan el universo musical de Vazquez. Jazz, canciones pop, tango, folklore argentino, música de India o de África, free, experimentación. música culta y popular conviven pacíficamente en este disco, que fue elegido Disco Revelación del año 1998 por el diario Clarín.

Sobre Santiago Vazquez
Santiago Vazquez es un multipercusionista, cantante, guitarrista, vientista y compositor argentino. Es un polifacético artista que en su música deja fluir ritmos y armonías de diversos orígenes, como la música africana, el klezmer, los estilos tradicionales argentinos y folclóricos latinoamericanos. Me arriesgo a decir que es uno de los padres de la -a mi entender redundantemente llamada- "World Music" argentina. Entre los instrumentos que toca están: el berimbao, el tabla, los bendires marroquíes, la batería, la guitarra, el bajo, el piano, la mbira, y el doudouk, así como instrumentos fabricados por él mismo e instrumentos hechos con chatarra y objetos domésticos.
Links de descarga:
Parte 1: http://www.zshare.net/download/620546678081de5e/
Parte 2: http://www.zshare.net/download/62066140115bac7a/
Parte 3: http://www.zshare.net/download/62088528bc557432/
Parte 4: http://www.zshare.net/download/62091748b5b7bc9a/

"Pasando el mar" ( clique aqui para baixar) es el segundo disco, «una de las aventuras mas interesantes en el campo de las músicas de tradición popular. Nada es exactamente igual a como podría esperarse; aparece algún aliento de milonga, alguna acentuación de folklore argentino, una cierta partícula melódica o rítmica que habla de migraciones, un resabio de Mateo o de Maslíah, o de Spinetta. Músicos excelentes haciendo música excelente», según la crítica de Diego Fischerman publicada en Página/12 (8/5/2002).

"Mañana domingo" (clique aqui para baixar), el tercer trabajo, es un disco acústico. En él se plasma el lenguaje que el grupo desarrolló durante los más de 30 conciertos del 2004. Producido por la misma banda, contiene 13 composiciones propias, en las que están presentes tanto la canción como la improvisación y el diálogo instrumental.


(via http://clubdeldisco.com/sitio/index.php/catalogo/disco/puente_celeste_canciones/)

Luego de cinco años de silencio discográfico Puente Celeste entrega un disco de canciones que desborda poesía. Gracias a su riguroso “control de calidad”, este quinteto de instrumentistas y cantantes a la vez apasionados y perfeccionistas obtuvo un disco equilibrado en el que nada desentona. Con placer hacemos llegar a nuestros socios por primera vez como Disco del Mes a este inusual grupo.
Muchos socios del Club conocen Otra vez el mar, canción con la que la voz de Edgardo Cardozo abre el nuevo disco de Puente Celeste. Claro, era una de las memorables canciones de Amigo (Disco del Mes de noviembre de 2007, Juan Quintero y Edgardo Cardozo). Nadie se quejará por la falta de “novedad”: la versión, fresca gracias a la polirritmia que sutilmente despliega el grupo, es de una belleza tal que se transforma en una declaración de principios, una bandera, como si el quinteto dijera “Así será este disco”. Así, lleno de canción, de poesía y de una música ancha, alternativamente tersa o rugosa, calma o nerviosa según las circunstancias. Escapando siempre al lugar común, pero sin temor a lo popular, Puente Celeste parece descansar en la solvente musicalidad de sus cinco miembros para entregar un álbum de canciones (apenas dos temas que no son canciones, sobre doce tracks) en el que hay muchas melodías para recordar, desde la primera escucha, pero también hay una complejidad y una belleza en la arquitectura de los arreglos que invita a repetir la experiencia sin cansarse nunca. Se van descubriendo nuevas gemas en cada vuelta que da el disco…Hay tres voces cantantes en este quinteto. Las tres muy diferentes, cada una con un registro distinto y con posibilidades de expresión muy características. Cardozo, tenor de voz liviana pero plena, con notable capacidad para contar historias, para lo dramático, y también para la dulzura, se hace cargo de sus cuatro canciones. Aparte del track de apertura, canta Aire seré, La noche murmura (sobre poesía de Juan L. Ortiz) y el fantástico Milongón azul. Moguilevsky es la voz grave del grupo, llena de armónicos el aire aportando electricidad en Pinche tirano y Quién (ambos de Dyzenchauz) y una profundidad notable en No hay después (de su autoría). Finalmente, en Pasadizos (otro tema del contrabajista), logra algo sólo posible gracias al estudio de grabación: cantar junto a su saxo tenor. Vázquez demuestra que cuando canta pone el alma. Eriza la piel escuchar su voz, a veces a punto de quebrarse por la emoción en Noche de papel (tema propio) o en Las palabras (de Nikotián). Además, los tres se juntan en muy buenos arreglos vocales a dos o tres voces (también se suma a veces en los coros Luciano Dyzenchauz). Es notable que en un grupo de grandes instrumentistas, en el cual no hay (¡qué bueno!) un cantante definido o frontman se pueda disponer de una paleta tan amplia de colores vocales. Es muy notable porque se supone que el fuerte de Puente Celeste es la calidad de sus integrantes como multiinstrumentistas, y este disco ocupa una gran parte de su tiempo en arreglos que se subordinan a las muy cantables melodías que salen de sus laringes, no sólo de sus dedos.Impecable disco de estudio, de un grupo que ama el toque en vivo. Queda, como ruego, el deseo de que el próximo disco ¡llegue pronto!

Para baixar o delicioso "Canciones", clique aqui!

oficial:http://www.puenteceleste.com/

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Comentários sobre a homofobia de nosso governador‏

Desde 2006 faço parte da organização da Parada da Diversidade de Curitiba - PR, realizada pela APPAD- Associação Paranaense da Parada da Diversidade. Nestas quatro Paradas das quais tive orgulho e prazer em trabalhar, presenciei preconceitos e dificuldades sempre superadas por uma equipe dedicada e competente, e por mais de 100 mil pessoas que fazem questão de participar desta que é a maior manifestação pelos Direitos LGBT de nosso estado.

Em Curitiba, a Parada se encerra no Centro Cívico da cidade, diante do Palácio Iguaçu, sede do Governo do Estado do Paraná, pois fazemos questão que o evento "bata às portas" do centro do poder executivo e legislativo do estado e da cidade, para que nossos governantes percebam a dimensão - de pessoas, de vidas e de força - que a luta pelos Direitos Humanos tem aqui. Neste ano, mais de 120 mil pessoas enfrentaram o mau tempo para prestigiar o evento, sem saber de todos os empecilhos que já havíamos enfrentado para realizá-lo. Empecilhos burocráticos fundados em preconceitos puros, e como vcs puderam ver através da fala de nosso governador (detalhes abaixo), nada velados. Embora o Paraná seja um dos berços do movimento LGBT no Brasil, ainda enfrentamos questões moralmente e politicamente absurdas como esta relatada no jornal nacional de ontem ( http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1357250-10406,00-GOVERNADOR+DO+PR+FAZ+DECLARACAO+PRECONCEITUOSA.html ), e outras que soam quase inacreditáveis, a exemplo da vereadora de Maringá, no norte do estado, que defendia um projeto para "recuperar" lésbicas, como se a homossexualidade fosse uma doença passível de recuperação.

Porém é importante ressaltar que, embora pareça contraditório, a Parada da Diversidade de Curitiba acontece através de apoio público, federal, municipal e até mesmo estadual, principalmente de aliados nas secretarias para Assuntos Estratégicos, da Saúde e Educação. Felizmente um governo é mais do que a figura de seu governante.

Neste ano, o tema da Parada da Diversidade de Curitiba foi "Seus direitos, nossos direitos, direitos humanos. Pelo Fim da Violência e da Impunidade”. Foi exatamente por ter a consciência de que a defesa dos direitos humanos - sejam de héteros, gays, lésbicas, transexuais, negros ou brancos - é um compromisso global que diz respeito a todos, que eu, apesar de ser heterossexual, dediquei anos da minha vida ao movimento LGBT, e agora em 2009, emprestei minha voz para a divulgação da Parada. Assim, a cidade inteira pode ouvir, através de rádios e carros de som, uma heterossexual gritando palavras de ordem e de defesa dos direitos LGBT, e convidando para que todos tomassem parte no que foi a maior celebração da igualdade, diversidade e principalmente, do respeito, que nossa cidade já viu. Respeito este que parece ser ignorado por nosso governador, mas que lhes garanto, é celebrado não somente pelas 120 mil pessoas que compareceram à Parada, mas por uma imensidão de eleitores que se recordarão desse episódio.

Qdo fiquei sabendo das palavras do Sr. Roberto Requião, confesso que chorei, não somente por ter nosso imenso e maravilhoso trabalho colocado como causa de algo terrível como o câncer de mama, mas por existirem pessoas que ainda possuem tal visão preconceituosa e absurda do mundo. Porém se anos na defesa dos Direitos Humanos me ensinaram algo, é que mudar mentalidades é algo lento, porém possível. E é através de eventos como a Parada, e coberturas da mídia como as que estamos presenciando desde ontem, que esse trabalho se torna a cada dia, mais real.

Agora, depois de ser alvo da globo e de todos os meios de comunicação, nosso governador falou q foi tudo um engano, q ele apenas tentou usar o humor (pq é tão divertido fazer piada de minorias, quem sabe na próxima ele faz uma de "negão") e dar um tom "lúdico" ao lançamento da campanha contra o câncer... Pq claro, era um momento lúdico, belo e poético, afinal ele só falava da doença que mais mata no mundo. Daí para demonstrar o quanto ele conhece a causa LGBT, e defende os Direitos Humanos, ele diz que só conhece um gênero, o humano, e que o resto são opções e escolhas. Preciso realmente falar da diferença entre orientação e opção sexual? Alguém conhece algum gay ou lésbica que escolheu ser diferente do padrão heteronormativo, e sofrer com todo o tipo de absurdos vindo de pessoas como nosso dignissimo governador?? Então, para finalizar, Requião fala de todas as maravilhas que fez pelas minorias, usando o nome de Nizan Pereira como escudo. Nizan Pereira é uma das pessoas mais fantásticas que já conheci, e é, definitivamente, um dos maiores aliados de todos os movimentos sociais do Paraná. Como eu disse, ainda bem que um governo é mais do q a figura de seu governante. Mas só quem faz parte deste governo sabe o que tem que enfrentar, "dentro de casa", para conseguir fazer algo. E todos, sem excessões, sabem que nenhum avanço em relação a DH ou minorias neste estado, foi feito graças à pessoa que carrega o título de governador (está mais para "apesar de"...).


Enfim. Denunciem, divulguem, comentem. Não deixem que tal absurdo passe em branco, ou que o preconceito cale mais uma vez a luta pelos Direitos Humanos.

Maiores detalhes sobre a Parada e o que acontece em nosso estado, no site www.paradadadiversidade.org.br . Abaixo, vcs encontrarão a Nota Oficial da APPAD sobre o ocorrido.


Governador Requião - Solicitação de uso fala na Escola de Governo do Estado do Paraná

27 de Outubro de 2009 | Categoria: Parada 2009
NOTA OFICIAL
Associação Paranaense da Parada da Diversidade - APPAD
Ao Senhor Governador ROBERTO REQUIÃO
Solicitação de uso fala na Escola de Governo do Estado do Paraná
A APPAD – Associação Paranaense da Parada da Diversidade entidade que realiza a “Parada da Diversidade LGBT” em Curitiba e afiliada Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), solicita a Vossa Excelência uso da fala na próxima Escola de Governo para apresentar a importância da Parada da Diversidade LGBT e a atual situação da discriminação contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) no Paraná.
Essa solicitação é requerida devido ao pronunciamento feito por Vossa Excelência durante a Escola de Governo, na terça-feira (27). “Eu chamaria o Gilberto Martins, que vai, em um espaço reduzido de tempo, anunciar a implementação de ações estratégicas para o controle do câncer. A ação do governo não é só em defesa do interesse público. É da saúde da mulher também. Embora hoje o câncer de mama seja uma doença masculina também, né? Deve ser conseqüência dessas passeatas gay” disse Vossa Excelência antes de passar a palavra ao Secretario Gilberto Martin.
Lamentavelmente esse tipo de pronunciamento reforça a discriminação, a violência e o assédio moral contra os e as milhares de LGBT do estado do Paraná e do Brasil já que o sinal da TV Paraná Educativa é transmitido ao vivo para todo o pais. Segundo pesquisas 10 % da população mundial é composta por LGBT, sendo assim o Paraná teria em seu solo e sobre sua governadoria quase 900 mil homossexuais. Somente este ano 19 pessoas foram mortas no estado por terem uma orientação sexual diferenciada da heterossexual.
A Parada da Diversidade LGBT de 2009 organizada pela APPAD registrou 120 mil pessoas, ocorrida no dia 27 de setembro, e contou com a parceria do Governo do Paraná por meio da Secretaria de Estado da Saúde. Alem da Parada de Curitiba outras 189 são realizadas no Brasil, a parada de São Paulo é considerada a maior do planeta.
Ao liberar espaço para que a APPAD e ABGLT possam expressar seu democrático direito de esclarecer a função social da parada e do movimento LGBT paranaense durante a Escola de Governo, Vossa Excelência demonstrará que é um governador que respeita os cidadãos do Paraná.
Portanto, vimos solicitar que Vossa Excelência atenda a Solicitação da APPAD e ABGLT, disponibilizando espaço ao vivo na Escola de Governo e que Vossa Excelência atenda o pedido da ABGLT (Ofício PR 520/2009 – 27/10) e nos atenda em audiência.
Felizmente, não estamos no século XIX e os avanços no campo da cidadania e dos direitos humanos são cotidianos e visíveis. A história caminha. Queremos ter a certeza que o Governador do Paraná não compactua com a discriminação e segregação da comunidade LGBT do estado. Estamos a disposição nos fones (41) 3232 1299 / 3222 3999 / 9109 1950 / 9602 5984.
Respeitosamente,
Márcio Marins
Presidente da APPAD

domingo, 18 de outubro de 2009

Esta noche (algo que no doy)...

Dia esquisito, encerrado com uma boa descoberta musical - Francisca Valenzuela, uma chilena de 22 anos q compõe e canta como gente grande. (Para baixar seu disco "Muerdete la lengua", clique aqui).

Noite... Boa, agradável, incômoda. Talvez seja uma pontinha de inveja, talvez seja um restinho de amor. Talvez seja só solidão e carência potencializadas ao ver alguém tendo tudo aquilo q eu sonhei tanto tempo em ter... não sei. Mas não incomoda muito, não fere muito. Mas ainda está lá.
E como o universo é bizarro e tem senso de humor estranho... e pq minha vida sempre tem trilha sonora....




Esta noche (algo que no doy)
Francisca Valenzuela
Composição: Francisca Valenzuela

Esta noche me ha pedido algo que no doy
No sé si es mi amigo o será algo más hoy
Esta noche me he convertido en algo que no soy
Desnuda frente a esta fría luna
Aquí aprovecho y me voy
He Reiterado mil veces
Yo Cierro mis oídos
Mi puerta de entrada
Retirado mil veces
Yo cierro mis ojos y me dejo llevar
Esta noche he vivido algo que no reconozco
Y se encuentra dividido entre mi amor y su odio
Y esa noche no quería, hoy si yo tal vezpero que le voy a hacer si él no quiere
Probando mil vecesYo cierro mi boca
Encanto de piel
Enfrentando mil voces
Yo cierro mis pulmones
Sin dejar saber lo que se siente ser
Esta noche he cedido algo que no doy
Esta noche he recibido y ahora me voy
Aiai... como diria a Francisca (na fofa "afortunada")....

"Soy tan afortunada de tener una segunda piel para recorrer..."

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A China tem o Tigre e o Dragão, nós temos... O BESOURO!




Dei de cara com um trailer de um filme nacional no Contraditorium, que é no mínimo, muiiito diferente da procução brasuca com a qual estamos acostumados. Como diria Cardoso, "... um filme nacional mas não passava a impressão de ter sido feito com orçamento de conserto de geladeira, nem por alunos da UFF em uma missão de denúncia social e/ou insuflação de ideais revolucionários. Também não era uma cinebiografia chata. Parecia ser algo mais raro no cinema brasileiro do que um filme sem o Wagner Moura: Era um filme de entretenimento!"

E não é q é mesmo??? Euzinha q sempre fui contra a onda "seufilmesóéfilmebom se for sobre miséria-nordeste-cachorro perneta" que me afugentou da faculdade de cinema em 2000, sempre apostei na tal indústria do entretenimento, afinal, quem paga um ingresso absurdamente caro para passar duas horas no escurinho, quer fugir da vida, quer viver novos mundos, quer experimentar, nem q seja por aquele curto período de tempo, uma outra realidade. Seja essa realidade a de um amor bem sucedido, de mocinhas e mocinhos aventureiros, de ficções científicas fantásticas, ou de vampiros e outros monstros q dão medo e fazem a luz do fim do túnel (da saída do cinema) ficar ainda melhor. Não q eu não goste de cinema político q desperte consciência social e eduque: Hotel Rwanda, Abril Sangrento, o documentário Ghosts from Abu-Grahib, entre outros, estão na minha lista de top 10 forever and ever. Mas pregar que um país tem q manter a linha naturalista e falar apenas da sua realidade, senão é "americanizado", é ir contra a principal essência da sétima arte: a de criar, naquela tela enorme, a realidade que quisermos, que sentirmos vontade, e que acharmos que pode, de alguma maneira, dizer algo para os outros. E agora, trabalhando com cinema, e vendo a anos já essa nova leva produzida pela GloboFilmes, dou uma risadinha e pensando no #$%@ do meu professor de roteiro (q era o próprio, roteirista da globo) que me disse q eu era ameicanizada, digo: "Tomô!!".

Enfim, voltando ao filme, "Besouro tem um quê de 300, conta a história de uma figura real -Besouro realmente existiu- mas a versão é fantasiosa. Besouro entrou pro rol das lendas como o maior capoeirista de todos os tempos, e por isso suas aventuras podem e devem ser exageradas, recontadas e admiradas fora dos grilhões da realidade".

Amei e fiquei louca para ver! Fantasia da melhor qualidade e cenas de lutas no melhor estilo cinema chinês. Com direito a um samba do criolo doido envolvendo candomblé, misticismo, lendas brasucas e o melhor, tudo com uma cara brasileiríssima, da melhor qualidade.

Quem disse que para se fazer cinema entretenimento é preciso esquecer as raízes????

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Mercedes Sosa



Confesso que nunca conheci muito sobre o trabalho ou a vida de Mercedes Sosa, apenas que ela era uma ativista fervorosa e apaixonada e dona de uma das vozes mais marcantes da musica latino americana. A algum tempo atrás dei de cara com o cd "Cantora" (clique para baixar), lançado este ano, onde Mercedes fazia coro com as maiores vozes latinas, como Juan Manoel Serrat, Spinetta, meus queridos Jorge Drexler (cantando a maravilhosa Sea) e Julieta Venegas, e até mesmo Caetano Veloso, em uma versão memorável de "Coração Vagabundo".

Mesmo sem conhecer profundamente o trabalho dela, como amante da música latina que sou, foi com pesar que soube que ela estava hospitalizada na sexta-feira, e que havia falecido no domingo, dia 07, devido a falência múltipla dos órgãos, em decorrência do Mal de Chagas.

Agora, vi no orkut de um amigo um vídeo ótimo da cantora com a colombiana Shakira e com Pedro Aznar, que me fizeram suspirar diante de tamanha voz e talento. E ainda, lendo o blog deste amigo, vi seu relato emocionante sobre sua admiração pela cantora, e sua experiência única ao vê-la ao vivo, embora já estivesse debilitada pela doença.




No blog, Carlos fala que Mercedes Sosa, "Dona de uma voz forte e marcante, La Negra jamais se contentou em apenas interpretar canções. Fez de sua voz a voz dos oprimidos, dos explorados, a voz dos sem voz. Em suas canções, entonou desejos de liberdade e de igualdade tão almejados pelo sofrido povo latino-americano. Ativista em movimentos de esquerda na Argentina, carregava em seu semblante a mistura de traços europeus e indígenas, que faziam dela um exemplo da mestiça população sul-americana. E como tal, jamais se furtou a tarefa de falar por sua gente."

E termina com a frase inicial do vídeo lá de cima:

"Los únicos vencidos son los que no luchan."

Uma verdadeira lição de vida bem vivida, e de talento bem utilizado. Descanse em paz, Mercedes.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Parada da Diversidade 2009


Parada da Diversidade 2009 .
Seus direitos, nossos direitos, Direitos Humanos.

120 mil pessoas compareceram, aguentaram chuva, dançaram e ouviram militantes e ativistas defenderem os direitos mais fundamentais de qualquer ser humano. Liberdade. Respeito. Igualdade. Nem mais nem menos, apenas os mesmos direitos que eu e vc , querido leitor heterossexual, usufruímos e tomamos como garantidos.

Foi a 4ª Parada da Diversidade na qual eu tive a honra de fazer parte da Organização, toda composta por funcionários, voluntários e aliad@s da APPAD - Associação Paranaense da Parada da Diversidade, ONG local responsável por essa mega festa. Mesmo qdo trabalhava lá, e passava os meses anteriores me descabelando e correndo atrás de documentos, liberações, apoio, era só ver toda essa gente na avenida Cândido de Abreu que meu coração parava por um segundo, e agradecia aos céus pela oportunidade de estar ali.

Este ano, já que não trabalho mais lá, acabei meio q entrando no último minuto (apesar de ter emprestado a voz para as vinhetas de divulgação, coisa que eu nunca tinha me atrevido a fazer antes), e correndo feito louca só mesmo no dia do evento. E que evento. Um mar de gente, um mar de diversidade, um mar de liberdade. Quisera eu que todos os dias fossem assim. Nem me importaria com as dores insuportáveis nas pernas, o vermelhão na cara (pelo 4º ano consecutivo esqueci de passar protetor solar), e o cansaço que toma conta de mim agora.
Valeria muito a pena. Sempre vale. Ontem valeu, e vai continuar valendo, enquanto eu tiver fôlego e pernas para ajudar.
For a long, long time, I hope
! ;)