sexta-feira, 29 de abril de 2011

day 02 - your least favorite song

Hunpf. Infelizmente, não sofri tanto para chegar a uma conclusão sobre qual música seria essa.

Na verdade, a primeira que me ocorreu foi uma que para mim, assim como a minha recém eleita música favorita, tem o poder de me transportar - só que dessa vez, para os portões do que foi o inferno da minha ainda breve (hopefully) existência.

Essa música foi na verdade a trilha sonora do que meu pequeno little trash movie particular, o qual eu gosto de chamar de 2001 - Uma Odisséia na Bahia. Recém chegada dos EUA, acabei tendo que me mudar para Porto Seguro com meus pais, e voilà, me tornei a única pessoa que foi para a Bahia e voltou estressada, com uma gastritequaseúlcera e com um imenso ódio no coraçãozinho por axé music. Então, qdo tive que pensar em uma música que eu realmente detestasse, nada mais natural do que lembrar da canção do inferno que era repetida, 24 horas por dia, em carros de som que insistiam em estacionar em frente ao hotel onde eu trabalhava como chefe de recepção, enquanto eu olhava aquele lindo mar azul do outro lado da rua, maquiada feito uma arara, usando a meia calça mais quente do mundo e trepada no salto mais desconfortável da minha vida. Super tropical e baiano. Mas quando eu achava que nada no mundo poderia ser pior do que essa Bomba (literalmente) que soava como um mantra para o meu desespero - se vc tem altas tendências masoquistas e gosta de sofrer, clique aqui - lembrei que na verdade, existia sim, uma música que ainda mais do que essa, me fazia querer furar meus tímpanos cada vez que eu, por puro acidente ou maldade do universo, a escutava.

Era uma vez, em uma cidadezinha do interior do Paraná, divisa com Santa Catarina, uma jovem adolescente que por motivos além da compreensão humana, desenvolveu uma devastadora paixão por um dos playboys da cidade - que obviamente, nunca soube que ela existia, embora tenha ficado com todas suas amigas na época (felizmente quase todas ainda permanecem suas amigas hoje em dia). Não fosse o bastante todo esse sofrimento, nossa jovem heroína ainda contava, no seu seio familiar, com pessoas amáveis e sem noção, que não se tolhiam ao tirar sarro de sua fracassada vida amorosa sempre que podiam. E sim, estou falando dessas criaturas horrorosas às quais temos que chamar de irmãos. Acontece que o tal objeto da paixão de nossa protagonista era filho de fazendeiros da região, que quem diria, plantavam batatas. E este mero fato serviu para que a piormusicadetodosostemposinfinitosdomundo fosse eleita como trilha sonora do escárnio dirigido à nossa sofredora mocinha. E sim, eu sei que preciso de terapia.

A música, uma mistura horrenda de pagode com sertanejo (e há quem diga que o que é ruim não pode piorar), dizia algo como "Apesar de colher as batatas da terra... Com essa mulher eu vou até pra guerra". E com essa única estrofe, nossa heroína sofreu por anos sem fim, muito depois de ter se mudado da pequena cidade e de ter esquecido até mesmo o nome do fulano. Mas como toda boa tortura nunca acaba, alguns anos depois, nossa heroína realizava seu grande sonho na vida - ir passar uma temporada nos EUA, acompanhada de sua irmã. Chegando lá, fascinada com tudo, ela resolve ir visitar o Museu de História Natural em New York, uma das coisas mais lindas, embasbacantes e maravilhosas do planeta (especialmente para ela que sempre foi viciada em historia e todas as coisas nerds relacionadas). Chegando no museu, e se sentindo como Neil Armstrong pisando na Lua, ela e sua irmã decidem entrar na lojinha do local (afinal elas eram brasileiras e adoravam uma lojinha). E qdo ela entra na lojinha..... Nãããããooooooooooooooooooo!!!!! Simmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!!! Dos auto falantes escondidos nos cantos mais remotos daquelas lojinha, saía uma voz anasalada cantando "E digo o que ela significa pra mim... Ela é um morango aqui no nordeste... Tu sabes não existe sou cabra da peste... Apesar de colher as batatas da terra...".

Sério. Tenho uma testemunha viva (que por algum milagre, não morreu engasgada de tanto rir qdo escutou a maldita música). Mal sabia eu que a tal lojinha do Museu gostava de dedicar cada dia para um país, sintonizando em radios que tocassem as músicas típicas do local escolhido durante um dia..... Mas até hoje, mais de 12 anos depois, eu ainda lembro da sensação absurda de que o inferno existia, e que ele havia me perseguido até Nova Iorque. Por isso essa música tem que ganhar o troféu da mais detestada de todos os tempos. Pq além de ser péssima, de extremo mal gosto, ter uma letra absurda e uma voz irritante, ela conseguiu contaminar um dos momentos mais incríveis da minha vida. Preciso falar mais?

Sras. e Srs., com vcs, a pior música da história. (e sim, eu vou compartilhar, pq amigo que é amigo, sofre junto. e tenho dito!!! :P)


5 comentários:

Enrique disse...

Hahahahahaha não creio! Tipo, se você for colocar no papel as probabilidades de estar tocando fucking "morango do nordeste" na lojinha do museu de história natural de NY, justamente na hora que você estava lá visitando...é muuuita sacanagem. Foram os deuses da sincronicidade tirando uma com sua cara...mas eles tiram com a cara de todo mundo, esses putos.

E que massa, você também sobreviveu a uma odisséia na Bahia! A minha durou dois anos e apesar de gostar de Salvador, decididamente não é onde eu quero passar o resto de meus dias (então eu escapei e vim parar em São Paulo). Mas foi deveras legal, apesar das discrepâncias: se por um lado eu tinha um colega gaúcho que ouvia Vitor Ramil no carro, por outro lado meu chefe surfista ouvia Aviões do Motherfucking Forró toda santa hora do almoço...

Chris Spode disse...

simmmmmmmm, os deus da sincronicidade parecem ter uma perversão toda especial pelo meu serzinho aqui. ninguém merece...
mas enfim, fiquei tão traumatizada com a minha odisséia pq porto seguro é um buraco negro cultural - não possui uma livraria, uma locadora decente, cinema então, nem pensar!!!! foi um coma mental, do qual admito, sai com a minha sanidade abalada.... mas salvador é capital, e imagino que deva ser difente mesmo.... mas como vc disse, otima para visitar, mas nao é ode eu quero passar o resto dos meus dias!!!!! :P

Enrique disse...

Olha, Salvador...Salvador é complicada, hahahaha. Eu gostava de lá, até certo ponto: como vc disse, é uma capital...com shoppings, cinemas, restaurantes legais, livrariiiiiiiiias (amo livrarias, pqp). E o pessoal que trabalhava comigo era suuuperlegal (por exemplo, meu chefe surfista não ouvia só forró, ele também tinha um lado punk rock dos anos 80 XD)...e isso também aliviava um pouco a barra. Problema era que eu não gostava nada do meu trabalho, e quando decidi ir embora de Salvador também decidi começar do zero, fazer algo totalmente diferente...e cá estou, hahahah.

Cindy disse...

Ah, Moranguinho, como é que você faz uma coisa dessas comigo? Como é que eu vou resistir a mencionar todas as frases maravilhosas dessa música quando estivermos juntas? Vão me perguntar “Você vai com a Chris ‘wherever’?”, eu eu vou pensar: “Com essa mulher eu vou até pra guerra!”

Agora entendi porque vocês voltaram de NY....hahahaha

Que bom que você voltou a escrever....

Aiiiiii. é amor, ai ai ai é amooor.... é amor demais.... :o)

Chris Spode disse...

ahhh ,livrarias. putz, como alguem no mundo consegue viver sem livrarias??? enfim.... as vezes a vida dá um chacoalhão na gente, qdo menos percebemos, e no final das contas, acaba sendo tudo o que precisávamos não é mesmo?? =)


Sis!!! deve ter algum codigo de conduta escrito em alguma pedra pré-histórica, que diz que melhores amigas não podem se aproveitar de eventos (ou musicas) traumáticas para atormentar as pobres moranguinhos, quer dizer, amigas. (sem falar que eu tenho certeza que se vc se esforçar - e nem precisa ser muit - vai achar outras coisas bem piores para me atormentar, hehehe)...