quarta-feira, 4 de maio de 2011

Um breve segundo para agradecer... ah, e o day 05 - a song that reminds you of someone

Quase meia-noite e meia, e eu ainda aqui, tentando escrever o post nº 5 do 30 day Song Challenge, pq afinal de contas eu havia decidido ser fiel ao desafio e escrever um post por dia, e já fiquei para trás nos ultimos dois (pschhhhhh, eu não conto para ninguém, se vcs não contarem). Então eu enfrentei o sono, encarei o cansaço, fiz um sanduíche e uma xícara de nescau, e sentei minha bunda na cadeira da sala para escrever no computador capenga da minha mãe - pq meu netbook chegou hoje, mas veio com defeito na placa wireless e agora eu tenho quase um computador da barbie para escrever coisas no word. Hunpf.

Ah tá, o desafio. Mas minha mente se nega a pensar no desafio. Aqui, tremendo de frio (eita terra fria essa Curitiba meu deus!), tomando chocolate quente e ouvindo minha mãe sentada no sofá falando sobre a morte do Bin Laden, eu sinto uma imensa vontade de escrever sobre tudo, e sobre nada ao mesmo tempo. Sinto uma imensa vontade de escrever simplesmente sobre a minha vida, quem sabe para simplesmente agradecer pelo que hoje é - ou melhor, pelo que hoje eu fiz da minha vida. Agradecer pq eu tenho uma mãe com quem eu posso falar sobre o Bin Laden, enquanto assistimos a mais um dos infinitos programas de decoração que ela tanto gosta. Uma mãe que me espera acordada todos os dias, mesmo em dias como hoje, qdo eu chego tarde da noite de uma reunião de trabalho, e pareço mais interessada no computador do que nela. Agradecer pq eu acabei de vir de uma reunião de trabalho, que na verdade foi uma reunião com alguns dos meus melhores amigos, de onde saímos com um argumento pronto e uma possibilidade de trabalharmos juntos e fazer algo em que realmente acreditamos. Agradecer por ter algumas pessoas para chamar de melhores amigos, agradecer por eles terem entrado na minha vida a mais de um ano atrás, e principalmente, por terem ficado nela - sem previsão nenhuma de sair. Agradecer por poder ter amigos que ficarão na minha vida sem previsão de sair, simplesmente pq hoje em dia eu mesma não tenho mais previsão de sair dela, de me mudar, de ter que começar tudo de novo em algum outro canto qquer desse país. Agradecer pq finalmente eu me acostumei a ficar em único lugar, e acreditei que poderia começar projetos a longo prazo, sem aquela sensação absurda de que eu ia ter que largar tudo de uma hora para outra. Agradecer pq graças a ter superado tudo isso eu terminei uma faculdade, onde aprendi coisas maravilhosas que eu nunca vou usar na vida. Mas onde eu conheci algumas das pessoas que hoje em dia são tudo para mim. Agradecer pelo bendito dia em que minha melhor amiga resolveu se inscrever naquele mesmo vestibular e cursar apenas um semestre de faculdade, e agradecer mais ainda por uma noite qquer onde decidimos ficar conversando somente nós duas, ao invés de subir direto para a sala, e descobrimos ali uma afinidade que nunca teria fim e que renderia mais horas de conversa do que a língua humana é capaz de aguentar. Agradecer pq essa mesma amiga consegue conhecer tudo a meu respeito, e ainda assim me amar e respeitar -além de me dizer qdo eu estou surtando e passando dos limites, como ela sempre faz. Agradecer pq graças a ela e a todas as conversas que nós tivemos - e teremos - eu me tornei uma pessoa melhor, que se conhece melhor e que por isso mesmo, surta menos, a cada dia bem menos (baby steps, baby steps). Agradecer pelo dia em que eu me apaixonei por alguém que me fez querer trabalhar com direitos humanos - e que isso tenha me feito muito mais feliz do que a paixão em si. Agradecer pq trabalhar com direitos humanos me rendeu amigos, crenças, uma causa na qual acreditar, e uma Parada anual que é a luz dos meus olhos. Agradecer pelo dia em que nesse mesmo trabalho tivemos a idéia de fazermos alguns documentários, e para isso, contratamos alguns moços bonitos que mexiam com isso em Curitiba. Agradecer pelo dia em que meus atuais chefes entraram em meu antigo escritório com câmera na mão, e eu vi que minha paixão pela sétima arte não tinha morrido no minuto em que eu tranquei a faculdade de Cinema no RJ. Agradecer pq a vida deu voltas e voltas, e de alguma maneira absurda eu acabei, um ano depois, trabalhando para aqueles mesmos moços bonitos que hoje eu chamo de chefes e amigos. Agradecer pq eu achei meu lugar no mundo qdo me meti a fazer produção, e vi que finalmente aquela mania de dar conta de tudo e de resolver os problemas do mundo teria uma função prática e útil. E que todas aquelas contas que eu aprendi a fazer qdo trabalhava no pior emprego do mundo, na tesouraria de uma escola de inglês, serviram para me ensinar a cuidar de uma parte dos projetos que quase ninguém quer saber. Agradecer pq mesmo em crise, eu ainda consigo perceber que eu faço algo que amo, que me completa e que isso é perceptível para quem trabalha comigo - e por isso mesmo eles continuam querendo que eu trabalhe com eles. Agradecer pq mesmo cansada, eu tenho dois filmes para produzir em dois meses, dois roteiros para escrever com meus amigos, vários projetos para tirar do papel e uma tonelada de idéias esperando para ganhar vida. E mesmo qdo minha única vontade é ficar deitada no escuro do meu quarto, todas essas coisas me fazem levantar da cama e encarar minhas responsabilidades de frente, pq meu trabalho, minha reputação como profissional, é o que eu tenho de mais meu nessa vida. Agradecer pq perto daquela menina assustada que eu costumava ser quando era adolescente, com medo de que a vida nunca fosse tão boa qto em meus sonhos, a mulher que eu me tornei conseguiu realizar muito - embora a sensação ainda seja de que é pouco, muito pouco.

Agradecer por ser eu mesma, simples assim.

Ah..... o desafio. Pois é. Depois dessa sessão de terapia online, difícil pensar em uma música que me lembre alguém.... Pq de todas as pessoas pelas quais eu agradeci aí em cima, de nenhuma delas eu vou realmente lembrar através de uma música. Ah, claro, existe a Detalhes que eternamente vai lembrar minha mãe, existe toda a trilha do 500 days of Summer que sempre vai me lembrar das melhores férias da minha vida, em Buenos aires com a minha melhor amiga Cindy, existe a Lose somebody, do Kings of Leon, que para sempre, ever and ever, vai me fazer lembrar da Gi, e de nós duas, às duas da manhã, voltando cansadas e moralmente exaustas de um set de gravação e berrando essa música com os vidros do carro abertos, como se cada palavra de música posta para fora tivesse o poder de aliviar o cansaço e as frustações daquele dia. Existe até a Californication, do Red Hot Chilli Peppers, que me lembra a minha irmã pelo simples fato de que deve ser uma das músicas que ela mais odeia no mundo. Mas não. Não tô afim de falar de nenhuma dessas músicas, nem de nenhuma dessas pessoas (mas coloquei os links para o facebook delas para que mesmo sem que eu fale, vcs possam dar uma espiadinha e conhecer um pouco algumas das pessoas que fazem meu mundo girar).

Eu quero mesmo, depois de tanto agradecer por ser eu mesma, é falar é de mim. Quero falar da pessoa que eu fui, ou melhor, das pessoas que eu fui e que me transformaram em quem eu sou hoje. De todas as pessoas que eu já fui, em todos os momentos da minha vida, existe uma que eu guardo junto ao peito. Era uma menina de 18 anos, que jurava que era mulher, e que tinha o mundo aos seus pés - e que como toda menina de 18 anos, ficou com medo e deixou o mundo escorrer por entre os dedos. Mas era uma menina que amava com vontade, que sonhava com vontade, que era forte, muito mais forte do que ela mesma sabia. Era uma menina que havia sobrevivido à adolescência sem nem saber como, e que ainda olhava as estrelas pensando que sua alma gêmea estava em algum canto olhando elas também - e que olhava a lua e via um símbolo mágico, e tinha toda a vontade de compreender os mistérios do universo. Se eu tenho que lembrar de alguém hoje, é dessa menina que eu quero lembrar. E sim, existe uma música que me lembra dela, com tanta clareza que eu posso sentir o cheiro do seu quarto, lembrar do azul das paredes, do calor das noites cariocas, da textura dos botões do rádio velho onde ela colocava a fita cassete onde havia gravado a tal música, direto de um programa qquer da Jovem Pan.

Momento para confissão: eu tenho vergonha dessa música. Ela devia era estar no dia dos guilty pleasures ou ainda, no dia da musica que eu costumava amar e agora não gosto mais. Tenho tanta vergonha dessa musica que pensei em dizer que a música q mais me lembra eu mesma naquela época é a Love of my Life, do Santana, cantada pela voz lindaesexyetudodebom do Dave Matthews - que com certeza é a minha música favorita daquela época. Mas não estou falando da minha música favorita, estou falando da música que mais me lembra a menina q eu era naqueles dias. E eu posso lembrar perfeitamente das noites em que eu deixava as imensas janelas do meu quarto (no 11º andar de um daqueles muitos edificios antigos de Niterói) abertas, só para ver a lua gigante sobre a praia, que de tão bonita que era sob o luar, nem parecia tão poluída qto era durante o dia. Lembro com perfeição das noites em que passei olhando a lua como quem olha para um futuro e um universo cheio de possibilidades, enquanto a música no radio dizia "Met you underneath the moon, the night was over much too soon....".

Sra. e srs., com vcs, You Stay With Me, de ninguém menos que Ricky Martin. Sim, é brega, e sim, a voz dele é péssima até para um ex-menudo. Mas aquela menina de 18 anos gostava, e é nela que eu quero dormir pensando hoje.



2 comentários:

Enrique disse...

Bah, é tão ótimo quando a gente se dá conta que está onde deveria estar, e que tudo há de dar certo porque...simplesmente porque sim =). Não é que as coisas sejam fáceis, não é que não existam problemas e insatisfações e chatices, não é que tudo esteja perfeito, muito pelo contrário. Mas quando tu encontra algo por que lutar, algo pra se apoiar, fica tudo mais fácil...os horizontes se expandem e as coisas passam a valer a pena. Também tenho essa vontade de sair agradecendo todo mundo que teve parte em todas as coisas que andam acontecendo na minha vida...a quase três anos atrás eu estava completamente perdido, preso num emprego que eu odiava (apesar de trabalhar com as pessoas mais legais do mundo), e sem saber o que diabos fazer pra mudar minha vida...até que a ficha caiu, que eu precisaria começar do zero, indo atrás do que eu gostava de verdade. E aqui estou, fazendo uma faculdade que eu amo, trabalhando num estúdio de design gráfico e me divertindo horrores, pesquisando aplicativos de celular e pirando em todas as possibilidades...minha vida é uma bagunça (e eu preciso fazer algo a respeito, hahahah), mas eu absolutamente e absurdamente amo ela, amo os rumos que ela anda tomando, todas as coisas novas que ando fazendo, as pessoas com que tenho contato, tudo, tudo, tudo....hehehehe. (E eu adoro a letra dessa música, e acho que ela tem a ver com esses momentos em que percebemos que estamos vivos pra sempre de verdade http://youtu.be/Ku0m2yne6N8 )

E acho que tu não deve sentir vergonha do Ricky Martin. Ok, só um pouco. Tá bom, uma vergonha moderada, mas enfim - quem não tem músicas ruins que marcaram a vida não viveu, ou pelo menos não se divertiu. Eu pretendo chocar a sociedade judaico-cristã-ocidental no dia da música guilty pleasure na lista, e o mais triste é que eu tenho VÁRIAS músicas pra escolher...mas enfim 2, a missão - o importante é que a música traga essas lembranças super bacanas da lua e de niterói e do universo cheio de possibilidades... ;))

Chris Spode disse...

ahhhh, tem alguem realmente viciado no fito!!!! hehehe.... "Cuando me di cuenta estaba vivo - Vivo para siempre de verdad... Todo empieza siempre una vez mas...Si un corazon triste pudo ver la luz ... Si hice mas liviano el peso de tu cruz ...
Nada mas me importa en esta vida."

Nossa, isso diz tudo, tudo, tudo. Minha vida tbem é uma bagunça, eu não durmo direito, não como direito, sou surtada, to sempre correndo de um lado para o outro e sempre acho q não vou dar conta de metade das coisas que tenho que fazer - mas milagrosamente, no final, tudo acaba bem, principalmente pq eu tenho todas essas pessoas que me aturam e me completam, e pq o destino (ups, essa palavra de novo!! :P) sempre dá um jeito de colocar novos serzinhos neuróticos no meu caminho para tornar tudo mais interessante!!! =)))

PS: ahhh, mal posso esperar para ver essa tal musica guilty pleasure!!!!